Pessoas queridas passam por situações difíceis e não podemos fazer quase nada. Podemos ouvir seus desabafos, dá o ombro para chorar, um abraço apertado e algumas palavras e opiniões, que inevitavelmente emitimos. Mas ainda que esse apoio seja algo importante que todos nós precisamos, parece pouco. A vontade é de ajudar efetivamente, como se tivéssemos o poder de tele-transportar aquela pessoa para meses depois, em que as coisas estão voltando ao seu lugar ou começando a achar lugares novos. A verdade é que somos prepotentes em achar que podemos ajudar alguém evitando que ele sofra, e nesse erro, cometemos um ainda mais grave, que é desconsiderar a importância de viver momentos difíceis; a importância de não “ajudar”, apenas de se fazer presente e ouvinte. Porque esses episódios desagradáveis que nos arrancam da rotina, que nos fazem questionar – a nós, ao outro, ao mundo -, que nos abalam e tiram nosso chão, são vitais e essenciais para o crescimento, a mudança, a descoberta de coisas novas, de outras experiências e em outra posição. E também são muitos no decorrer da vida, inevitáveis. Passamos por esses momentos da melhor forma que conseguimos e com os recursos que temos no momento, sabendo que há sofrimento, mas que eles são importantes, tão quão os momentos alegres. E não podemos nunca nos privar dessa dor, deixar que alguém nos tire o direito de passar por isso ou ajudar o outro a não sentir a dor dele. Sentimos juntos, e isso é tudo.
Escrito por Pat(y) às 22h25
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